quarta-feira, 25 de março de 2009
CAPITULO V - A LENDA DE BERNARD FOKKE
A cabine de Will era ampla. Havia uma grade mesa de madeira escura logo no hall de entrada. Estantes com livros cobriam quase todas as paredes. Havia um piano à esquerda, no fundo, próximo a grande parede de vidro, havia uma escrivaninha circundada por algumas poltronas azuis escuras. Mais a direita da escrivaninha, ficava um biombo que separava o quarto do restante da cabine. Will se encostou a frente da escrivaninha e fez sinal para que nós nos sentássemos. Eu me joguei em uma poltrona molhada e mal humorada. Carlinhos havia arrancado sua camisa para tentar parar o sangramento de seu nariz. O lábio de Will também sangrava, mas ele parecia não se importar com isso.
- Vocês entenderam tudo errado! - disse Willian sério me encarando.
- Não! Não entendemos! - eu disse ainda com ódio. - Meu pai e o seu marujo tinham a marca do seu navio. Eu entendi muito bem sua mensagem Will!
- Quando meus marujos acharam o corpo do seu pai... - começou Will praticamente me ignorando. - Eles realmente fizeram a marca, mas ele já estava morto Liv! - ele disse vindo para perto de mim e me olhando com seus olhos escuros. É claro que eu acreditava nele, mas eu não conseguia pensar em nenhum outro pirata, ou em nenhuma outra pessoa que pudesse ter feito aquilo.
- Então quem afundou o navio e matou o Rei? - perguntou Carlinhos tirando sua camisa manchada de sangue da frente de seu rosto. Will deu sua camisa para que eu vestisse, pois eu comecei a tremer de frio naquela cabine, mas eu o ignorei.
- Fokke... Bernard Fokke! - disse Will jogando a camisa em cima da escrivaninha e olhando para Carlinhos.
- AH Will! - eu me levantei depressa e percebi que os dois que trocavam olhares nervosos, de repente eles se viraram para mim - Você não está querendo dizer que Fokke está vivo? - é claaaaro que eu não acreditava mais em Will!. Mesmo se ele estivesse vivo, se a Lenda fosse realmente verdadeira... ele nunca poderia sair do Estreito!
- É impossível! - disse Carlinhos sorrindo nervoso, concordando comigo. Mas ele não parecia seguro o suficiente do que ele havia acabado de dizer.
- Eu tô falando sério! - disse Will ignorando Carlinhos. – Ele tá livre! Eu vi o navio dele, com meus próprios olhos... – ele completou aflito. Eu tive um ataque de riso. Ou Will tava ficando doido, ou ele achava que eu era muito idiota de acreditar em tudo isso. - Até por isso estamos aqui, ancorados... – continuou ele desanimado
- Mesmo assim você não tem certeza que foi Fokke quem afundou o navio do Rei! - disse Carlinhos e Will deu com os ombros.
- Quem mais poderia ser? - perguntou Willl se sentando sobre a escrivaninha. - Hoje ninguém mais ataca um navio real, é muito perigoso... - disse Will. Carlinhos parecia estar levando em conta toda a história de Will. Eu respirei fundo para não me descontrolar novamente. Os dois estavam pensativos, cada um em seu canto.
- Tudo bem Will! - disse eu um pouco mais calma - Vamos dizer que você esteja falando a verdade. Que Fokke tenha realmente conseguido sair do Estreito vivo... o que ele ia ganhar afundando o navio do meu pai? - eu perguntei e Willian sorriu pra mim, pela primeira vez no dia, ou foi a primeira vez que eu reparei que seu sorriso continuava o mesmo. Seus olhos continuavam os mesmos.
- Princesa... - disse ele me olhando nos olhos. – Seu pai deveria ter alguma coisa que o interessava!
- Ou não! – exclamou Carlinhos. – Se for mesmo Fokke, ele afundaria o navio antes mesmo de saber a quem pertencia!
- Não! – exclamou Will sério. – Na verdade eles não afundaram o navio do Rei! Eles trituraram, não tinha nenhum pedaço inteiro do navio maior que essa escrivaninha! Foram tiros de muito perto! Dez metros, quinze, no máximo...
- Como assim?! – perguntou Carlinhos confuso. Will deu com os ombros. – Eles estavam lado a lado?! – Carlinhos perguntou, Will assentiu.
- É impossível destruir um navio da forma como estava o navio Real, se os dois não estivessem a poucos metros de distancia... – disse Will encarando Carlinhos.
- Você está dizendo que eles estavam... juntos?! – perguntou Carlinhos pensativo. – Como se eles tivessem negócios a tratar , ou uma conversa?!
- É a única explicação que eu encontrei! – respondeu Will. Nós ficamos em silencio. Cada um formulando sua própria teoria. Mas após alguns minutos minha mente não conseguia trabalhar em mais nada. Tudo que eu conseguia pensar era como meu pai deveria ter passado seus últimos minutos. O que ele tinha a tratar com Fokke?! E será que ele havia pensado que Fokke iria o atacar?! Meus olhos se encheram de água. Mas eu impedi que as lágrimas começassem a aparecer.
- Mas meu pai só tinha um monte de papeladas no navio, eu vi! Não havia nada que realmente interessasse ao Fokke! - eu disse de repente, fazendo os dois se sobressaltarem. Willian me encarou bem humorado por alguns segundos e então começou a rir. - Do que você está rindo? - eu perguntei irritada. Ele se ajoelhou na minha frente e acariciou meu rosto.
- Fokke está realmente atrás de alguma coisa! E eu tenho quase certeza que seu pai tinha o que ele queria! E seu pai sabia disso! Ele sabia que Fokke já estava livre! - Will disse sério. Eu o encarei confusa por alguns segundos.
- Como assim?! – eu perguntei tentando entender o que estava se passando na cabeça de Will.
- Liv! Ele estava indo direto pra lá! Ele sabia exatamente onde encontrar Fokke! – disse Will muito sério. Eu o encarei sem saber o que dizer. O que meu pai iria querer com Bernard Fokke?!
- Por que ele faria isso?! – Carlinhos perguntou, tirando as palavras da minha boca. Will deu com os ombros.
- Foi tudo muito estranho! – disse Will pensativo. – Eu encontrei com o Rei alguns dias antes dele morrer. Ele pediu pra deixar algumas coisas no meu navio e pediu pra levar mais da metade dos seus marujos para a costa.
- Por que?! – eu perguntei ainda tentando entender o que havia acontecido. Will me encarou ainda pensativo.
- Eu perguntei, mas ele pediu pra eu não fazer perguntas, e apenas fizesse este favor a ele! – disse Will me encarando – Ele não quis me dizer nem onde estava indo!
- Pra onde você acha que ele estava indo?! – Carlinhos perguntou pensativo, encarando seu irmão. Will arregalou os olhos e deu com os ombros.
- Eu ouvi dizer que ele deixou o resto dos marujos no meio do mar com alguns botes, mas não falou pra ninguém onde estava indo! – disse Will encarando Carlinhos sombriamente.
- Por que o Rei iria... O que ele tinha pra tratar com Fokke?! – perguntou Carlinhos encarando o irmão.
- É isso que eu to tentando descobrir há dias! – disse Will pensativo. Tudo era muito irreal. Eu não podia acreditar na história de Will, mas Carlinhos parecia estar levando tudo tão a sério. Meu pai morto e Fokke não era uma Lenda??!!
- Talvez eu tenha uma vaga idéia... – disse Will de repente, ainda pensativo. Os dois começaram a se encarar como se um pudesse ler a mente do outro.
- As coisas que o Rei deixou com você?! – Carlinhos perguntou. Will apontou para um antigo baú próximo ao piano.
- Está tudo ai! Tem umas coisas bem interessantes.... – disse Will enquanto Carlinhos se aproximava do baú.
- Eu não consigo entender! – eu disse finalmente quando Carlinhos começou a examinar o conteúdo do baú. – Por que meu pai iria fazer uma coisa dessas?! Sair atrás de Fokke sem ninguém...
- Liv! – interrompeu Will ainda ajoelhado a minha frente. – Seu pai não queria que ninguém interferisse, seja lá o que ele quisesse fazer!
- O que ele iria fazer??! – eu perguntei aflita. Will deu com os ombros e se juntou a Carlinhos, que abriu caminho para o irmão mostrar o que ele já havia encontrado. Will mexeu no baú por alguns segundos e então tirou um caderno de capa vermelha, muito grosso devido a grande quantidade de coisas dentro dele. Eu conhecia aquele caderno.
- É o diário do meu pai! – eu exclamei me levantando e indo até eles. Os dois sorriram. É claro que eles também já sabiam disso. Will me colocou sentada novamente e abriu em uma das ultimas páginas que meu pai escreveu.
- “Finalmente minha busca terminou! Ainda é triste pensar que poderei estar pondo em risco a coisa que mais amo no mundo, porém também sei que está pode ser a única forma de salva-la.
Se eu não tivesse encontrado o medalhão e qualquer outro caçador de tesouros tivesse feito isso em meu lugar, minhas mãos estariam atadas. Pelo menos agora existe uma esperança!” – Will terminou de ler e os dois me olharam em busca de alguma resposta. Carlinhos enxugou uma lágrima solitária que escorria pelo meu rosto.
- Você sabe do que seu pai estava falando?! – Carlinhos perguntou acariciando meu rosto. Eu respondi que não com a cabeça. Eu não fazia nem idéia! A coisa que ele mais amava no mundo?! Eu?! Jack?! Minha mãe?! O reino?!
- Eu sei! – disse Will calmamente. Meus olhos e de Carlinhos ficaram presos nele. - O medalhão! – exclamou Will encarando seu irmão como se fosse uma coisa obvia. Os olhos de Carlinhos se estreitaram.
- Que medalhão?! – eu perguntei confusa. Eu conhecia a lenda e Bernard Fokke, mas nunca havia ouvido historia nenhuma sobre um medalhão.
- Não faz sentido! – disse Carlinhos encarando Will.
Willian sorriu e abriu em uma nova página do diário e mostrou à Carlinhos, que pegou o diário da mão de Will. Os dois se encararam por mais alguns segundos.
- O Medalhão! – exclamou Carlinhos sorrindo. – Foi o Rei quem libertou Fokke! – disse Carlinhos ainda rindo.
- Da pra vocês me explicarem?! – eu perguntei irritada. Os dois riam feito crianças e eu não conseguia entender.
- Liv! Nós buscamos esse medalhão por muito tempo... – disse Carlinhos me encarando e dando o diário nas minhas mãos. Eu olhei para a página que Carlinhos estava me mostrando. O desenho de um medalhão cheio de gravuras e frases em uma língua desconhecida enchia a página. Era a última página do diário. Não havia mais nada escrito nas páginas seguintes. Eu encarei aquele desenho por mais alguns segundos, meu coração acelerou.
- O que significa esse medalhão?! – eu perguntei tentando me acalmar. Os dois ainda pareciam entusiasmados demais com a nova descoberta. Will se aproximou e sorriu.
- O que você sabe sobre a história de Fokke?! – ele perguntou ainda com aquele sorriso bobo. Eu revirei os olhos e mordi o canto do meu lábio.
- Não muito, eu acho! Era uma das minhas histórias favoritas, mas meu pai parecia não gostar muito dela! – eu disse tentando me lembrar. – Fokke era um pirata, um dos piores que já existiu.... um dia ele se apaixonou por uma moça! O pai dessa moça não queria que eles ficassem juntos! – eu parei por alguns segundos tentando lembrar do resto da história. Will e Carlinhos me encaravam esperando que eu terminasse. Eu respirei fundo tentando entender o que tudo isso tinha a ver com o medalhão. –Fokke estava decidido a se casar com a tal moça! O pai dela então propões que ele provasse seu amor pela moça fazendo uma viagem ao Estreito de Magalhães... e Fokke aceitou e foi, mas era tudo armação, porque o pai dela recorreu a magia para prender Fokke pra sempre no Estreito! Acho que é isso.... – eu terminei ainda tentando entender tudo isso. Will sorriu satisfeito.
- É isso! – ele disse me encarando como se fosse obvio, mas eu continuei sem entender. Eu encarei Carlinhos procurando uma resposta.
- O que a Lenda de Fokke tem a ver?! – eu perguntei começando a me irritar. Will e Carlinhos riram.
- Não é lenda Liv! – disse Carlinhos calmamente. – A história é real! – continuou ele sorrindo.
- Ah! – eu exclamei começando a rir. – Vocês não acreditam de verdade nisso né?! Quer dizer... eu sei que Fokke existiu, mas sei lá, ele foi pro Estreito e afundou, morreu, sei lá! – eu disse ainda rindo. Mas os dois me encaravam sérios.
- Liv... – começou Will pensativo. – Seu pai acreditava nessa Lenda também, ou ele não iria atrás desse medalhão! – disse ele pegando o diário e me mostrando um desenho. Eu afastei os pensamentos que rondavam minha mente e peguei o diário.
- O que significa esse medalhão?! – eu perguntei novamente encarando aquele desenho. Will me encarou sério dessa vez.
- Liv! Toda essa história existiu! A garota era filha de um cigano poderosíssimo! Todos o respeitavam, mas ele não queria que sua filha se tornasse uma pirata, ele queria um futuro muito melhor pra ela! Ele aprisionou Fokke no Estreito e a chave para liberta-lo novamente era este medalhão... – disse Will chacoalhando o diário.
- Como assim?! – eu perguntei ainda sem entender.
- Ele escondeu este medalhão! O feitiço que ele fez dizia que assim que alguém encontrasse a chave, a prisão já estaria aberta... – explicou Carlinhos. – Ou seja só o fato de alguém encontrar o medalhão já significaria que Fokke estava livre novamente!
- E por que ele não guardou com ele?! Assim ele evitaria que os outros encontrassem o medalhão! – eu disse, mas os dois se encararam com uma expressão estranha.
- Esse tipo de magia é poderosíssima Liv e envolve vários... efeitos colaterais! – disse Willl.
- Um deles é a morte de quem a fizesse! – disse Will me encarando sombriamente. - Ninguém nunca havia encontrado o corpo do tal Igor e muito menos o medalhão...
- E por que vocês queriam esse tal medalhão?! – eu perguntei. Meus olhos foram de Carlinhos para Willan, que sorriu com o canto dos lábios.
- Vingança! – disse Carlinhos um pouco envergonhado.
- Fokke foi o responsável pela morte do nosso pai! – disse Will. – Outro efeito colateral deste tal feitiço é que Fokke se tornaria imortal...
- Em partes! – corrigiu Carlinhos. – O medalhão também é a única chave para mata-lo! – completou Carlinhos pensativo.
- Nós passamos anos atrás deste medalhão! – disse Will olhando mais uma vez para o desenho. – É uma jóia muito poderosa e pelo que nós estudamos! Foi um presente de um feiticeiro Inca à esse cigano! Precisamos saber onde seu pai o deixou... – disse Will me encarando.
- Mas por que meu pai iria libertar Fokke?! Eu não consigo entender... – eu disse ignorando o que Will havia dito.
- Talvez a intenção dele não fosse libertar Fokke, mas usar o medalhão para alguma outra coisa! – disse Carlinhos perdido em seus pensamentos.
- O que por exemplo?! – eu perguntei evitando as perguntas de Will sobre o paradeiro do medalhão. Carlinhos pensou por mais alguns segundos, e de repente arregalou seus olhos verdes.
- Trazer sua mãe de volta! – exclamou ele me encarando.
- Minha mãe?! – eu perguntei sem entender.
- Claro! – disse Carlinhos. – O medalhão tem o poder de trazer pessoas da morte!
- Não Cacá! – exclamou Will de repente. – Isso custaria a vida do Rei! – ele completou pensando melhor. Os dois ficaram em silêncio se encarando por alguns instantes.
- Dá pra vocês me explicarem ao invés de ficarem fazendo teorias.... – eu pedi nervosa.
- Esse medalhão pode trazer pessoas de volta a vida, mas o preço é a vida de quem deseja que isso aconteça! – disse Carlinhos vindo até a cadeira onde eu estava.
- Se isso for mesmo verdade... o Rei já estava morto quando Fokke afundou seu navio! E Fokke só estava mesmo atrás do medalhão! – disse Will. Mas eu sabia que alguma coisa não se encaixava na história.
- Meu pai precisaria estar com o medalhão?! – eu perguntei, os dois assentiram no mesmo segundo, porém me ignorando no instante seguinte.
- Mas por que o Rei iria para o Estreito?! Se ele fez mesmo isso, ele deveria ir o mais longe possível de Fokke, para que ele nunca encontrasse o medalhão! Se Fokke encontrou o medalhão, as chances de acabar com ele são praticamente nulas... – disse Carlinhos.
- Não é isso! – exclamou Will me encarando por alguns segundos. Eu me encolhi involuntariamente na cadeira. – Estamos indo pelo caminho errado! Primeiro porque o Rei não entregaria de bandeja o medalhão e depois que a Rainha não está de volta...
- Fokke pode ter a seqüestrado... – respondeu Carlinhos.
- Pode ser! – disse Will confirmando com a cabeça. Os dois ficaram em silêncio por muito tempo. – Mas mesmo assim, não faz sentido ele ter ido em direção ao Estreito!
- Eu sei! – eu exclamei de repente. Os dois me encararam assustados. – Quer dizer.... sei que meu pai não foi atrás deste medalhão pra trazer minha mãe de volta... – eu disse tentando me acalmar. Os dois me encararam confusos.
- Liv! Eu sei que você deve estar passando por um momento difícil, ,mas... – Will começou.
- O medalhão está comigo! – eu disse erguendo a barra do meu vestido mostrando o ultimo presente que meu pai havia me dado. Uma delicada tornozeleira com uma medalinha de ouro. – Na verdade não é um medalhão... – eu disse desabotoando a tornozeleira e colocando-a na palma da mão de Will. Os dois ficaram lado-a-lado para comparar a jóia com o desenho. Os dois sorriram.
- Finalmente o encontramos! – disse Will sorrindo. Os dois voltaram a me encarar.
- Foi o ultimo presente que meu pai me deu! – eu disse me levantando. – Ele disse que isso podia salvar minha vida! – eu completei. Os dois pareciam tão confusos quanto eu.
- Salvar sua vida?! – repetiu Carlinhos ainda encarando a pequena medalinha que pendia entre os dedos de Will.
- Talvez o Rei tenha se arrependido de libertar Fokke e como ele sabia que Fokke iria vir atrás disso aqui, ele deixou com a Liv... – Will começou a formular uma nova teoria.
- Ele acha que eu sou capaz de matar Fokke?! – eu perguntei ao mesmo tempo apreensiva e orgulhosa por meu pai ter confiado em mim desta forma. Carlinhos riu.
- Ele não confiaria isso ao Jack!- ele disse me encarando e sorrindo. Eu sorri de volta. Jack não sabia nem como segurar uma espada.
- O que faremos com isso agora?! – perguntou Will encarando Carlinhos. Carlinhos retribuiu o olhar do irmão, que sorriu. Will parecia muito animado, mas Carlinhos me encarou preocupado por alguns segundos.
- Eu não sei... – disse Carlinhos ainda com seus olhos em mim. Will seguiu o olhar de seu irmão até onde eu estava, e depois voltou a olhar para Carlinhos.
- É nossa única chance! – exclamou Will. Carlinhos assentiu finalmente encarando Will.
- A gente podia simplesmente reverter o feitiço... – disse Carlinhos desanimado. Will arregalou os olhos.
- Reverter?! Como assim?! Nós reviramos o oceano atrás disso aqui, e agora você quer desistir?! – Will estava começando a ficar nervoso.
- Will, isso foi antes! Muita coisa mudou... – argumentou Carlinhos também começando a se alterar. Seus olhos se voltaram pra mim novamente. Mas uma vez Will seguiu o olhar de Carlinhos.
- Eu sei que você se preocupa com a segurança da Liv, mas não vamos deixar nada acontecer a ela! E ela também sabe se cuidar! – disse Will. Carlinhos o encarou nervoso.
- Eu tenho que ir?! – eu perguntei sorrindo. Eu sabia que os dois planejavam uma vingança na qual eu não estava incluída, mas pela discussão deles aparentemente eu teria que ir junto. Will confirmou com a cabeça.
- Tem! O medalhão só tem poder nas mãos do seu proprietário! – disse Will. – E só pode ser de outra pessoa se seu dono morrer...
- Meu pai morreu, agora ele é meu... – eu deduzi. Os dois confirmaram com a cabeça. Eu sorri! Era tudo que eu precisava! Eu podia tirar a história da morte do meu pai a limpo!
- Mas eu não posso arriscar sua vida.... – começou Carlinhos vindo até mim. Eu revirei meus olhos.
- Eu posso finalmente descobrir o que aconteceu com meu pai! – eu disse o encarando nos olhos. Ele me encarou por alguns segundos.
- Liv! Você só está nervosa... – começou Carlinhos preocupado, Will me encarou por alguns segundos pensativo.
- Acho que ela precisa descansar! – disse Will finalmente concordando com Carlinhos e desviando seus olhos dos meus.
- Will! – eu implorei, como uma criança implora para a mãe por um doce. Ele precisava de mim e eu dele.
- É perigoso... – disse Will me encarando sorrindo. Eu sorri e dei com os ombros. Eu sabia que seria fácil dele voltar atrás. Carlinhos o encarou por alguns segundos.
- Não vale o risco! – disse Carlinhos secamente. Will parecia decepcionado com o irmão. Os dois ficaram perdidos em seus pensamentos. Will caminhou até sua estante e procurou por algum livro, e não demorou até o encontrar. Ele retirou da estante um livro pesado com uma capa marrom muito antiga. Ele folhou o livro até encontrar o que queria. O silêncio parecia interminável.
- Não temos outra chance... – disse Will. Carlinhos assentiu nervoso.
- Eu sei! – exclamou ele encarando Will. Meu coração deu um salto, eu queria ir junto.
- Eu preciso ir com vocês?! – eu perguntei tentando não demonstrar novamente minha animação. Carlinhos caminhou até a grande janela de vidro nervoso sem me responder. Will sorriu e veio até minha cedeira.
- Vai ser muito perigoso! – ele disse me encarando sorrindo.
- Eu sei! – eu disse sorrindo para ele. Ele acariciou meu rosto.
-Liv! Ele já afundou o navio do seu pai! – disse Carlinhos preocupado se virando para nós finalmente.
- Ele não vai fazer nada contra ela! – disse Will sorrindo. Mas Carlinhos ainda nos olhava preocupado. – Não se fizermos um bom trabalho...
- Will tem razão! – eu disse tentando acalmar Carlinhos. – Ele não vai fazer nada contra mim!
- Liv! E por que não faria?! – perguntou Carlinhos tentando se acalmar. – Ele é um pirata!
- Você seria o primeiro alvo dele! Enquanto nós estaríamos cuidando da tripulação, ele viria atrás de você... – disse Carlinhos ainda muito preocupado.
- Cacá! Reverter o feitiço significaria a Liv morta! Você sabe disso! É nossa única chance! – disse Will. Carlinhos assentiu nervoso. – E se não formos atrás dele, ele vai revirar o mundo atrás deste medalhão...
- Eu sei! – disse Carlinhos pensativo. O silêncio voltou a assombrar a cabine. Meus olhos começaram a pesar.
CAPITULO IV - ENCONTRANDO WILLIAN TACH
CAPÍTULO IV
ENCONTRANDO WILLIAN TACH
A manhã da coroação estava clara, o céu muito azul e fazia muito calor. Eu procurava por Janice, claro! Ela precisava me ajudar com roupa e cabelo. Normalmente eu não ligava muito pra isso, mas hoje eu precisava de ajuda.
Foi a primeira vez que caminhei pelos jardins do castelo sem meu pai. Eu queria que ele estivesse comigo agora. A folhagem ainda estava muito verde, apesar do calor, e haviam flores coloridas por toda a parte. Meu pai havia feito esse Jardim em homenagem a minha mãe. Eu andava por ali agora sem me lembrar o porque, apenas lembrando dos momentos com meu pai.
- Ainda ta em tempo de fugir! – disse a voz de Carlinhos a minhas costas.
- Não vou fugir! – eu respondi me virando e quase caindo sentada. Ele devia estar trabalhando no navio. Ele estava com a camisa pendurada no ombro, deixando seu peitoral a mostra. Eu demorei algum tempo pra me concentrar novamente. Mas agradeci por ter aceito me casar com ele!
- No que você estava pensando então?! – ele perguntou me abraçando. Eu não me importei por ele estar todo suado e grudento.
- Só queria que meu pai estivesse aqui hoje! – eu disse. Ele me beijando e sorrindo.
- Ele está! – ele disse me encarando com seus olhos verdes. E eu me perguntei por que tinha demorado tanto tempo pra ficar com ele.
- Eu sei! – eu respondi após alguns segundos. Ele me beijou novamente.
- Eu preciso ir me arrumar! – ele disse se afastando alguns centímetros. – Preciso de um banho... mas o navio já está prontinho capitã!
- Ótimo marujo! É bom estar mesmo, ou você vai ser o primeiro a esfregar o convés! – eu disse quando voltamos para o castelo de mãos dadas. Eu não sabia se agüentaria lidar com tudo que estava acontecendo se ele não estivesse ao meu lado.
Janice já me esperava no meu quarto quando eu voltei. Ela e os outros empregados haviam juntado suas economias para me darem um vestido. Eu não havia pensado que precisaria de um vestido novo. Quer dizer, eu tinha tantos, e muitos deles eu nunca tinha usado. Mas de qualquer forma, era lindo. Era do tipo bolo, mas a própria ocasião pedia esse tipo de vestidos. Era simples, mas ao mesmo tempo chique e delicado. Não tinha aquele monte de pedrarias, ou coisas penduradas. Era simplesmente um corpete branco com seu trançado em dourado e as mangas champanhe. A saia também era do mesmo tecido da manga, sem muitos bordados. Janice prendeu meu cabelo em um rabo de cavalo alto, e soltou alguns fios. Não muita maquiagem ou nada muito sofisticado.
- Obrigada! – eu agradeci me olhando no espelho. Ela parecia tão orgulhosa de mim.
- Sua mãe ficaria tão feliz! – ela disse deixando algumas lágrimas correrem pelo seu rosto.
- Eu sei! – eu disse. – Mas eu ainda nem estou me casando, é só meu noivado! É do Jack que ela deveria se orgulhar... hoje é o dia dele!
- Sim! É claro que ela se orgulharia dele também! Mas mesmo assim! – ela disse sorrindo e me abraçando. – Você precisa ir! A cerimônia começa em alguns minutos!
Eu agradeci mais uma vez pelo vestido e disse que depois pagaria por ele, mas ela ficou ligeiramente ofendida. Eu encontrei Carlinhos na escadaria da capela. Ele vestia a roupa de gala do exercito. Era azul marinho com detalhes em vermelho e branco.
- Você está ainda mais linda! – ele disse segurando minha mão. Nós entramos na capela e eu fui me sentar junto de Jack, enquanto Carlinhos ficou em pé, do outro lado de Jack, como comandante do exercito. A cerimônia de coroação foi muito bonita! Eu me emocionei em vários momentos e tive certeza que meu pai ficaria muito feliz, e que Jack se sairia muito bem. Logo após a coroação, Jack anunciou o noivado. Carlinhos se ajoelhou novamente e pediu minha mão em casamento à Jack, que parecia ainda mais feliz que nós. Jack havia dado o anel de noivado da minha mãe para Carlinhos. Eu não acreditei quando ele colocou o pequeno anel de ouro com um pequeno diamante no meu dedo.
Algumas pessoas não pareciam muito felizes, como os Alcântara e mais alguns parentes, mas eu e Carlinhos estávamos muito felizes.
Logo após, seguiu-se um jantar de comemoração. Eu odiava essas festas, onde pessoas que nem te conhecem aparecem pra mostrar seu status Eu fico enjoada só
- Você precisa descansar! – disse Carlinhos enquanto eu ria dos dois dançando enquanto Alejandro e Dona Lourdes batiam colheres nas taças de vinho.
- Você também! – eu disse sorrindo quando ele acariciou meu rosto.
- Você quer que eu te coloque na cama?! – ele perguntou me abraçando e arrumando uma mecha do meu cabelo. Eu ainda ria de Jack e Amelie. Mas ele continuou me encarando com seus olhos verdes.
- Sim! – eu respondi sorrindo. Carlinhos estava sendo a minha luz no fim do túnel! – Mas temos que ajudar a arrumar essa bagunça!
- Liv! – Janice me censurou passando com uma bandeja cheio de copos vazios ou com restos. – Não se preocupe com isso!
- Até parece! – eu respondi – Eu quero ajudar!
- Jô vai enfartar se você entrar na cozinha dele com bandejas! Vá dormir! Amanhã vocês ainda terão um longo dia pela frente! – ela disse séria.
- Mas... – eu comecei.
- Leve ela! – disse Janice para Carlinhos.
- Eu só cumpro ordens! – ele disse me colocando sobre seus ombros. Eu tentei gritar e me debater, mas não funcionou. Ele só me soltou quando chegamos no meu quarto. Ele me colocou gentilmente no chão.
- Eu queria ajudar! – eu reclamei fazendo biquinho, ele sorriu.
- Eu sei, mas você precisa dormir! – ele disse. Minutos depois eu já estava deitada. Carlinhos conseguia ser bem mandão às vezes, mas eu não me importava. Ele me beijou e saiu do quarto, e segundos depois eu cai no sono.
Eu nem me dei conta que o dia havia amanhecido. O dia estava ótimo pra navegar. Céu limpo, um pouco de vento, não estava muito calor apesar de tudo. Minha coisas já estavam arrumadas muito dias atrás.
A próxima coisa que eu sei é que eu estava me despedindo de Jack e dos outros, em um navio cheio de homens, indo ao encontro de Willian Tach. Não podia mentir que estava com medo, morrendo de medo, mas Carlinhos me fazia me sentir um pouco mais segura. Jack me abraçou por muitos minutos.
- Lembra do que você me prometeu?! – ele perguntou me soltando. Nossos olhos se cruzaram e eu sorri.
- Claro Jack! Relaxa! – eu disse quando Carlinhos começou a caminhar para o navio. Jack olhou ele se afastar. E me encarou sério.
- Você contou sobre Will pra ele?! – ele perguntou me olhando nos olhos. Eu poderia me fazer de desentendida e fingir que não sabia sobre o que ele estava falando, mas não ia adiantar nada. Eu respirei fundo e enfrentei os olhos de Jack.
- Não! – eu respondi abaixando a cabeça. – Como você sabe?! – eu perguntei confusa.
- O papai me contou! – disse Jack muito sério. Eu não sabia o que dizer. Nós nos encaramos por mais alguns segundos.
- Por que você não contou?! – eu perguntei. Eles eram tão amigos e contavam tudo um pro outro!
- Quando eu fiquei sabendo, achei melhor não contar, não faria diferença na época! E agora eu acho que você devia contar! – Jack disse segurando minha mão. – mas é você quem decide! – ele disse dando um beijo no meu rosto. Eu me afastei tentando não pensar na opinião de Jack.
Mas foi quase impossível afastar essa conversa do meu pensamento. O bom é que tinha muito trabalho no navio, e por isso eu até conseguia manter minha mente ocupada.
No terceiro dia que estávamos no mar, estava olhando o horizonte quando Carlinhos veio, com seus olhos verdes. Ele me encarou curioso por alguns segundos, e olhou na direção em que eu olhava e então parou ao meu lado.
- No que está pensando? - perguntou ele pegando minha mão. Eu o encarei por alguns segundos.
- No papai! - eu menti segurando a mão dele. Nós ficamos em silêncio por alguns segundos. E foi então que eu me dei conta - É a primeira vez que navego sem ele! - eu continuei tentando não chorar.
- Ele ficaria orgulhoso de você! - disse Carlinhos sorrindo e corando. Ele era tão tímido e tão lindo. Minha vontade de chorar até foi embora após daquele sorriso.
- Obrigada por tudo! - disse eu derretida pelos olhos verdes. Ele só segurou minha mão mais forte e sorriu. E ficamos ali em silêncio por um tempo. Logo começou a escurecer e esfriar um pouco. Eu havia ficado o dia todo naquele leme. Mas não me importava. Me fazia me sentir próxima do meu pai.
- Cansada?!- ele perguntou quebrando o silêncio. Eu sorri.
- Um pouco! Mas tudo bem! – eu respondi. Ele acariciou meu rosto. Uma onda de eletricidade percorreu minha espinha. Tudo ficava muito melhor quando ele me tocava.
- Vamos, você precisa descansar um pouco! – ele disse travando o leme. Eu o encarei confusa.
- Ta tudo bem, é serio! – eu disse sorrindo, mas ele me puxou para a cabine principal. Era um pouco injusto, eu sozinha ficar com aquela cabine enorme, e ele dormir com os outros. Mas eu entendia, eu era a única mulher a bordo, e apesar de Carlinhos ser meu noivo, nós ainda não éramos casados, nem nada. Jack se sentia melhor desse jeito.
O mar estava tranqüilo, e muitos marujos também aproveitavam pra descansar. Carlinhos fechou a porta da cabine atrás de nós e me beijou, mas foi um beijo diferente dos outros. Mais quente, mais urgente. Os outros já eram ótimos, mas esse fez minhas pernas fraquejarem e meu coração quase parar de tão rápido que ele batia. Ele me encarou por alguns segundos, mas eu não disse nada. Então ele me beijou novamente. Eu comecei a abrir sua camisa e acariciar seu abdômen. Ele me trouxe ainda mais pra perto. Ele estava tão quente e o gosto que tinha aquilo tudo era tão bom! Eu não conseguia me afastar ou fazer parar. Eu não queria que parasse. Eu não sei como, mas minutos depois meu vestido já estava no chão, e eu estava só com o espartilho. Ele me deitou na cama cuidadosamente. Segundos depois, ele me soltou e se deitou ao meu lado, ofegante. Eu ainda demorei um pouco para retomar minha consciência e meu fôlego.
- O que foi?! – eu perguntei virando a cabeça de lado para conseguir olhar pra ele. Ele me encarou de volta.
- Eu não deveria ter feito isso.... – ele disse se sentando de repente. Eu revirei os olhos. Ele não precisava fazer tudo sempre conforme as regras que um irmão estipulava!
- Por quê?! – eu perguntei confusa.
- Eu deveria ir com calma! – ele exclamou me olhando – E deveria esperar nosso casamento! Seu irmão....
- Meu irmão?! – eu perguntei incrédula. Ele não podia estar MESMO pensando no meu irmão agora!
- Não! Só achei que você concordasse com Jack! – ele disse confuso. Eu ri. Jack era meu irmão mais velho! Era natural que ele estipulasse algumas regras. E ele sabia que eu particularmente não cumpriria nenhuma delas! – Achei que você também gostaria de esperar até o casamento! – ele disse de repente. Eu respirei fundo...
– É por isso?! – eu perguntei. Acho que finalmente nós íamos ter que conversar sobre Will. Ele me encarou muito sério.
- Isso não importa pra você?! – ele perguntou me encarando confuso. Eu olhei para o lustre de cristal pendurado no teto.
- Não! – eu respondi corando e voltando meu olhar para ele. Um sorriso torto se abriu em seu rosto. – Pra falar bem a verdade, eu ficaria muito melhor se você viesse pra cabine também!
- Eu sei, mas..... as pessoas
- Eu não me importo com as pessoas! – eu interrompi o encarando. Ele tentou ler meus pensamentos por alguns segundos.
- Às vezes você me surpreende! – ele disse sorrindo de repente.
- Por quê?! – eu perguntei sorrindo de volta, mas ele deu com os ombros. Nós ficamos em silêncio por mais alguns minutos. Ele começou a acariciar meu braço e eu deitei a cabeça na sua barriga..
- Você estava falando sério sobre eu dormir aqui com você?! – ele perguntou.
- Claro! – eu respondi distraída. Ele mexeu no meu cabelo me encarando confuso com seus olhos verdes.
- Tudo bem! Eu posso ficar no sofá! – ele disse sorrindo de repente. Eu revirei os olhos. Eu não ia me jogar em cima dele como eu estava fazendo ultimamente. Ou ia?!
- Por que no sofá?! – eu ouvi minha voz perguntar. É claro que eu ia me jogar em cima dele!
- No chão?! – ele perguntou me olhando confuso.
- Na cama! – eu respondi mal humorada. Parecia que ele estava se fazendo de desentendido, e isso me irritava. Mas ele arregalou os olhos, espantado. Será que ele era tão ingênuo assim?!
- Liv... – ele começou escolhendo as palavras. – Eu não quero apressar as coisas... – ele me olhava sendo cuidadoso com o que dizia. – Eu não quero que você faça nada contra sua vontade, ou só pra me agradar...
- Não é por isso que eu estou pedindo pra você ficar aqui comigo! – eu respondi séria. Ele me olhou ainda mais confuso. – Eu não quero.... eu não consigo mais ficar longe de você! – eu disse corando. Ele sorriu e me beijou.
- Nem eu! – ele respondeu num sussurro me abraçando e beijando meu pescoço.
Eu pisquei algumas vezes antes de abrir os olhos. O sol já havia nascido. Eu não precisei fazer força pra me lembrar do que havia acontecido na noite anterior. Eu tinha certeza que finalmente tinha encontrado o homem certo pra mim. Carlinhos era romântico, atencioso, bem humorado, engraçado e lindo! Nós voltamos no mesmo dia para o castelo, esquecemos toda a historia de vingança e nos casamos, tivemos 7 filhos e fomos felizes para sempre!
FIM
Antes a história fosse assim, linda, simples, curta e feliz! Era brincadeira, na verdade, a história nem começou! Mas sim, eu estava apaixonada de verdade por Carlinhos. Claro que era bom estar apaixonada, mas eu estava com medo e assustada de como tudo parecia ter mudado em tão pouco tempo.
Eu abri os olhos e ali estava ele, ainda dormindo, tão lindo, tão tranqüilo! Eu me acomodei entre seus braços e ele sorriu ainda de olhos fechados.
- É um sonho, não é?! – ele perguntou cheirando meu cabelo. Eu ri. – Eu não quero acordar.... – ele resmungou me puxando ainda mais pra perto.
- A gente precisa levantar! Já tiramos a noite toda de folga! – eu disse tentando me levantar, mas Carlinhos me segurou. Ele finalmente abriu seus olhos e me encarou.
- Você é tão linda, que eu ainda não acredito nisso tudo... – ele disse me olhando com seus olhos verdes. Eu ri, e senti meu rosto ficando vermelho. Ele acariciou meu rosto com seu polegar.
- Você é que é perfeito demais pra ser de verdade! Eu ainda não sei por que demorei tanto tempo pra ficar com você! – eu disse fazendo ele ficar vermelho.
- Levantar?! – ele tentou disfarçar sua timidez. Ele me olhou nos olhos, sorriu e me beijou.
- Cacá! – gritou um dos marujos lá fora. Eu comecei a rir. Até os marujos o chamavam por apelidos. Ele me encarou por alguns segundos, respirou fundo e se levantou. Eu assisti ele vestir suas calças.
- Depois nós continuamos! – ele disse saindo e fechando a porta atrás de si. Eu ouvi os dois conversando próximos a porta, mas não consegui entender o que eles diziam. Então me levantei e vesti uma camisa qualquer de Carlinhos. Eu senti a agitação do lado de fora. E caminhei lentamente até a varanda que havia no fundo da cabine. Os navios reais tinham um tipo de varanda na cabine, pois meu pai adorava passar um tempo ali, sentindo a brisa marítima sem o tumulto do convés. A cada passo que eu dava em direção a varanda, a agitação lá fora crescia. Eu me apoiei no parapeito de madeira e então pude ver o motivo da agitação, ancorado em uma pequena ilha estava o Senhor dos Ventos. Ainda estávamos um pouco longe. Eu só pude reconhecer o navio por sua vela central, alta e negra, como uma nuvem de fumaça dançando no vento. Havia algum movimento próximo a praia, mas eu ainda não conseguia ver bem o que era. Eu coloquei um vestido descente e sai da cabine. O convés mais parecia um formigueiro. Marujos corriam de um lado para o outro.
- ‘Dia Princesa! – alguns deles diziam enquanto eu caminhava procurando por Carlinhos. Eu respondia com um sorriso, ou com um leve tapinha nas costas de alguns. Não demorou pra eu encontrar Carlinhos no leme.
- Por que você não me chamou?! – eu perguntei tirando ele do meu posto. Ele me encarou por alguns segundos.
- Se Will atacar.... – ele começou.
- Se Will atacasse eu estaria na cabine... o navio ia afundar do mesmo jeito! – eu disse séria.
- Eu sei... – ele disse me abraçando. Eu o abracei também.
- Seu irmão não vai atacar! – eu disse tentando tranqüilizá-lo. – Na verdade, ele já teria atacado se fosse pra ele atacar...
- Você tem tanta confiança nele! – ele exclamou beijando minha testa. Eu enrijeci por alguns segundos, esperando que ele dissesse mais alguma coisa sobre Will, mas ele não disse nada. Alguns minutos depois já estávamos ancorados e nos preparávamos para ir até a praia. Carlinhos parecia estar extremamente tenso. Já do bote eu podia ver Will deitado na areia tomando sol.
- Você está bem?! – Carlinhos perguntou segurando minha mão. Eu respondi que sim com a cabeça. Eu percebi que apesar de não estar usando sua farda de comandante, Carlinhos carregava sua espada. Eu tentei me acalmar e me convencer que Will não faria uma coisa daquelas com meu pai. Ele continuou deitado na areia com os braços embaixo da cabeça, sem camisa, com o cabelo molhado solto. Eu tentei não pensar em Will como meu Will, mas sim como Willian Tatcher, o pirata que havia matado meu pai. Não foi tão difícil quanto eu imaginei. A raiva tomou conta de mim, assim que Will finalmente se levantou para nos receber.
- Carlinhos! Liv! - exclamou ele vindo de braços abertos. Mas eu fui mais rápida e arranquei a espada de Carlinhos de seu cinto, e parando milímetros antes de cortar a garganta de Will.
- Liv! – exclamou Carlinhos tentando me segurar. Eu já esperava que ele fosse tentar me parar e já havia me preparado, acertando em cheio seu nariz com meu cotovelo esquerdo, o derrubando na areia. Na hora eu fiquei arrependida, Carlinhos não merecia, mas eu queria acabar com Will e não queria que ninguém me impedisse de fazer isso.
- Aconteceu alguma coisa? - perguntou Will percebendo que não fui nada receptiva. Carlinhos se levantou com o nariz sangrando.
- Calma Liv! – ele disse limpando seu nariz em sua camisa. Meus olhos ainda estavam em Will.
- Você é um cara de pau! - eu disse séria.
- Eu sei! - disse Will confuso sem se mover.
- Liv! Me devolve a espada! – Carlinhos disse sério. Will o encarou por alguns segundos. – Eu só quero a espada! Não vou impedir que ela acabe com você! – Carlinhos disse para o irmão. Will voltou seus olhos pra mim.
- Isso é por causa do Rei?! – Will perguntou. Eu tentei me segurar mas em uma fração de segundos eu dei com o cabo da espada na têmpora de Will. Ele caiu inconsciente. Carlinhos me segurou.
- Calma! Respira! – ele disse me abraçando. Eu comecei a soluçar.
- Idiota! – eu murmurei contra o peito de Carlinhos. – Me desculpa, eu não queria...
- Tudo bem! – ele disse pegando a espada da minha mão.
- Eu matei ele?! – eu perguntei sem ter coragem de olhar. Carlinhos riu. E eu ouvi Will se mexer na areia.
- Caramba Liv! – exclamou Will – Quem te ensinou a bater assim?!
- Eu! – respondeu Carlinhos ainda me segurando.
- Bom trabalho, hein?! Ela bate melhor que muito marmanjo por ai! – disse Will. Eu me virei para ele, um pouco mais aliviada de não ter o matado só no primeiro golpe. Mas ele ainda estava sentado na areia. Seria muito fácil o acertar outra vez.
- Seu idiota! Por que você matou meu pai? O que você achou que estava fazendo? Brincando de pirata malvado? - eu disse tudo tão nervosa entre os dentes. Eu senti os dedos de Carlinhos se afundarem no meu braço. Willian ficou me olhando sem entender. E então se levantou.
- Matar seu pai? Eu? - perguntou ele calmamente limpando a areia de suas mãos. - Olha só, vocês entenderam tudo errado, eu achei o corpo do Rei boiando já, e pedaços de alguma embarcação que com certeza afundou. Mas eu mesmo nem vi o navio Real.
- Pare de brincadeira Will! - disse Carlinhos sério enquanto eu me acalmava. Will nos olhou parecendo desapontado. Ele respirou fundo e pensou por alguns segundos.
- Vamos para a minha cabine no navio, ai podemos conversar melhor! - disse ele notando que todos os marujos olhavam. Eu adoraria acabar com ele ali, na frente de todos os seus homens. Carlinhos me soltou para que nós pudéssemos ir até o navio, mas eu não me segurei e pulei pra cima de Will, acertando sua boca. Nós dois caímos na beira do mar. Will rolou para tentar me segurar, mas eu fui mais rápida e rolei por cima dele. Eu já estava toda molhada e suja de areia.
- Liv! Me escuta! Você sabe que eu não faria nada contra seu pai! – disse Will segurando minhas mãos para eu não acertá-lo novamente. Eu olhei em seus olhos. Claro que eu sabia disso, mas não tinha nenhuma outra explicação pro que havia acontecido.
- Vamos pro navio! Deixa ele explicar Liv! – disse Carlinhos em seu tom mandão. Meu olhos foram de Will para Carlinhos. Eu revirei os olhos e sai de cima de Will e então nós fomos em silêncio até o navio.
CAPITULO III- PLANEJANDO A VINGANÇA
CAPÍTULO III
PLANEJANDO A VINGANÇA
A próxima coisa que me dei conta é que já havia amanhecido. Janice entrou no quarto e me viu jogada na cama naquele estado. Eu devia estar horrível pelo modo como ela me encarou.
- Ah! Liv querida! Como você está?! – ela perguntou vindo até a cama. Por alguns instantes, eu achei que tudo não passara de um sonho estranho e confuso. Eu esperei alguns instantes para que ela dissesse alguma coisa que me dessem certeza de que o dia anterior não havia existido. Mas ela ficou ali, em pé me encarando e esperando a resposta.
- Bem! – eu respondi, mas minha voz não saiu. Eu tentei me levantar e senti como se minha cabeça pesasse toneladas. Então continuei deitada, olhando para o teto.
- Vamos! Levante! Seu irmão está esperando pra te ver! – ela disse carinhosamente. Eu me levantei e fui direto para o banheiro. Eu estava horrível! Meus olhos pareciam olhos de sapo, vermelhos e inchados. Não! O dia de ontem não foi um sonho! Meu estomago foi parar nos meus pés! E meus olhos começaram a lacrimejar involuntariamente. Eu tentei respirar fundo, eu sabia que tinha que ser forte agora, mas ainda era muito difícil.
Janice veio com duas compressas de água quente, que segundo ela ajudavam a diminuir o inchaço dos meus olhos. Jô chegou com um dos seus carrinhos recheados de comida. Eu me forcei a comer algumas torradas e tomar um pouco de suco.
- Você sabe se os Alcântaras ainda estão aqui?! – eu perguntei para Janice quando tirei as compressas. Meus olhos estavam realmente menos inchados.
- Estão! – respondeu ela vindo com alguns vestidos do closet. – Eles e mais algumas outras famílias! – ela respondeu me encarando desconfiada. Eu revirei os olhos.
-Por que?! – ela perguntou curiosa. Talvez ela soubesse de alguma coisa e me contasse! Ela sempre me contava tudo o que sabia!
- Nada! Você sabe sobre o que eles conversaram com o Jack ontem?! – eu perguntei a encarando. Mas ela deu com os ombros e balançou a cabeça.
- Imaginei que eles quisessem ajudar, ou algo assim! Seu irmão e o Conde Ângelo ficaram um bom tempo no escritório ontem, mas eu não faço nem idéia do que eles estavam conversando.
- Que droga! – eu exclamei baixinho.
- Imagino como deve ser estranho isso Liv! Mas acho que seu irmão vai dar um jeito de te manter longe de tudo isso, até você se sentir melhor! – ela disse colocando os vestidos sobre a cama para que eu escolhesse, todos eram praticamente iguais! Só mudavam as cores, mas todos eram cheios de babados e saiotes.
- Coitado do Jack! Eu estou sendo tão egoísta! Ele enfrentou tudo sozinho ontem....– eu disse encarando Janice. Ela sorriu.
- Não é egoísmo Liv! – disse Janice sorrindo e esperando que eu escolhesse algum dos vestidos. – E ele quer te proteger!
- É egoísmo! Eu estou sendo egoísta! Eu deveria ter ficado ao lado dele...– eu repeti a encarando séria, mas ela riu.
- Você está diferente hoje! – ela disse me encarando sorrindo.
- Por que?! – eu perguntei confusa, comendo alguns biscoitos.
- Ontem... você estava pálida, seus olhos estavam sem brilho! Hoje sua pele está mais bonita, você ainda parece triste, claro! Mas seus olhos estão com um brilho diferente.
- Diferente como?! – eu perguntei normalmente.
- Não sei! Você parece melhor agora! Parece até que tá apaixnada... – ela disse rindo. Eu arregalei os olhos. Acho que a morte do papai havia mexido com o cérebro dela!
- De onde você tira essas idéias? – eu perguntei incrédula. – Apaixonada Janice?! – eu perguntei muito séria. – Meu pai...
- Só to falando o que parece! – ela me interrompeu sorrindo, eu revirei os olhos. – Seus olhos estão brilhantes iguais os da sua mãe quando olhava para seu pai....
- Por quem eu ia me apaixonar?! Ainda mais agora... – eu disse revirando os olhos, mas senti meu estomago afundar quando o rosto de Carlinhos apareceu na minha mente. Janice riu da cara que eu devo ter feito. Ontem foi tudo tão estranho! Eu ainda não sabia se era minha imaginação, sono, cansaço ou se eu estava tendo alucinações...
- O que foi?! – Janice perguntou. Eu não respondi e ela continuou me olhando. Alguém bateu na porta. Janice abriu sem dizer nada. Carlinhos entrou e me encarou por poucos segundos, meu coração acelerou e eu achei que tinha parado de respirar. Ele desviou seu olhar para seus próprios pés.
- Jack quer falar com você! – ele disse ainda de cabeça baixa. Eu peguei o vestido mais confortável que estava na cama, sem o encarar, e fui me vestir sem dizer uma única palavra. Minha cabeça estava a mil. Apaixonada? O que era aquilo que tinha acontecido ontem? Acho que a morte do meu pai estava me deixando louca! A hora que eu voltei, Carlinhos já tinha ido embora. Janice correu pra me ajudar com meu cabelo, mas eu já havia dado um jeito nele.
- Aconteceu alguma coisa entre vocês?! – ela adivinhou quando eu já ia saindo do quarto.
- Eu não sei! – eu respondi saindo do quarto pensativa. Eu caminhei em silêncio pelos corredores do castelo tentando afastar todos os pensamentos da minha cabeça, fossem eles sobre a morte do meu pai ou sobre Carlinhos.
Eu parei diante da gigantesca porta da sala de reuniões. Eu não sabia se estava pronta para encontrar meu irmão! Eu brinquei com os detalhes dourados da porta branca. Encontrar Jack agora, ouvir tudo o que ele tinha pra me dizer, seria realmente aceitar a morte do meu pai. Eu não queria isso. Ainda não. Eu virei de costas e comecei o caminho de volta para o meu quarto.
Então eu parei novamente. Eu não podia fazer aquilo! Jack precisava de mim! Era difícil pra nós dois! Eu caminhei apressada sem nem respirar e entrei na sala de reuniões de uma vez. E congelei! Jack e Carlinhos conversavam sobre a coroação. Eu não esperava encontrar com Carlinhos! É claro que ele estaria lá, com Jack, mas eu simplesmente não havia pensado nisso. Minha respiração falhou algumas vezes, e então eu encarei Jack. Ele parecia mais adulto, mais responsável, eu tinha certeza que meu pai sentiria orgulho dele. Ele parecia um pouco cansado, seus olhos castanhos estavam fundos e a barba por fazer, e seu cabelo escuro e liso estava todo bagunçado, mas eu sorri pois sabia que ele iria fazer um trabalho tão bom quanto ao do papai.
- Você está bem? - perguntou ele vindo me abraçar assim que fechei a porta. Em outras épocas eu iria tomar uma bronca por entrar sem bater! Mas hoje nós dois precisávamos um do outro. Tive forças apenas para responder que sim com a cabeça e o abracei, meus olhos se cruzaram com o de Carlinhos, que tentou me confortar com um sorriso.
- Vou ficar bem! - disse eu enxugando algumas lagrimas que corriam em meu rosto após nosso abraço.
- Vamos ficar bem! - disse Jack pegando minha mão. Ele era um irmão e tanto. Nós nos encaramos por alguns segundos. – Eu sinto muito não ter visto você ontem! Ia ser demais pra mim, e eu precisava ficar no funeral...
- Tudo bem Jack! – eu disse com um sorriso fraco. – Eu é que devia ter ficado com você! – eu disse o encarando, ele me abraçou novamente, e eu comecei a soluçar, como ontem.
- Calma Liv! Eu to aqui maninha! – ele disse calmamente. – Vai ficar tudo bem!
- É que.... ele vai fazer tanta falta! – eu consegui dizer. Jack me encarou e limpou meu rosto.
- Eu sei! – ele disse me colocando sentada e se ajoelhando a minha frente. – Mas você é a pessoa mais forte que eu conheço Liv!
- Bobo! – eu exclamei sorrindo, ele sorriu de volta.
- É sério! – ele disse se levantando.
- E a coroação?! – eu perguntei mudando o assunto, tentando me acalmar. Ele levantou as sobrancelhas.
- Quase tudo preparado, eu acho! Acho que vamos marcar a cerimônia pra daqui 3 ou 4 dias! – ele disse sério.
- Já?! – eu perguntei. Eu imaginava que essas coisas demoravam semanas. Jack sorriu. Mas de repente ele ficou sério me observando desconfiado. Ele mordeu o canto do seu lábio.
- O papai tinha deixado tudo meio preparado parece! – ele disse me olhando nos olhos, ele ainda parecia desconfiado.
- Você acha que ele sabia?! – eu perguntei. Jack me olhou ainda mais sério, ele respirou fundo e se sentou apoiando-se na mesa a minha frente. Ele pensou por alguns segundos.
- Sinceramente Liv, eu não sei! Ele insistiu pra que você ficasse, o que já é muito incomum! E eu juro, estava tudo pronto pra minha coroação praticamente! Documentos assinados, testamentos.... – eu e Jack nos encaramos por algum tempo. – Ele não te disse nada? – ele perguntou finalmente, então era isso que ele estava desconfiado!
- Não! – eu respondi rapidamente. Eu e meu pai conversávamos muito, mas ele nunca havia me dito nada sobre.... morrer! – Ele me deu alguns presentes antes de ir! Jóias e vestidos, mas achei que era porque ele estava se sentindo culpado, de eu estar chateada por ele ter me deixado de fora! E ele nem me disse onde estava indo, o que torna tudo ainda mais estranho. Eu achei que fosse medo de eu tentar ir atrás dele.
- Esquece isso vai Liv! – disse Jack de repente. – Não vale a pena! Nunca vamos saber a verdade!
- Eu sei! – eu respondi desanimada. Nós ficamos em silêncio por um tempo. Jack mexeu em alguns papéis da mesa e encarou Carlinhos de repente. Carlinhos se moveu em sua cadeira e olhou para longe.
- Liv! – Jack disse de repente, ainda encarando Carlinhos – Tem outra coisa sobre a qual precisamos conversar! – ele disse se virando lentamente para mim.
- Pode falar... – eu disse tentando descobrir o que eles escondiam de mim.
- Você já deve saber que a família Alcântara ainda esta aqui! – ele disse me encarando. Eu fitei Carlinhos por alguns segundos e me voltei para Jack novamente.
- Sim! Ouvi comentários... – eu respondi.
- Já faz algum tempo que eles vem se correspondendo com o papai, e ontem, durante o funeral, Ângelo me procurou.... eles estão muito preocupados com você! – ele disse me encarando. Eu dei com os ombros.
- Por quê?! – perguntei sem entender.
- Eles acham que com a morte do papai, você precisa de uma outra pessoa que cuide de você! – ele disse passando seus olhos por Carlinhos. Eu sorri.
- E por isso que você está aqui! – eu disse com uma piscadela pra Jack, mas ele não sorriu.
- Eles acham que você precisa se casar! – ele disse de uma vez. Eu demorei alguns segundos pra entender e então eu ri.
- Casar?! – eu perguntei ainda rindo.
- Como eu disse, eles já estavam discutindo esta hipótese com o papai há algum tempo. Mas, pelo que eu entendi, o papai queria que você tomasse esta decisão por você mesma....
- Mas Casar?! Eles acham que casar vai fazer bem pra mim?! – eu perguntei tentando entender esta lógica sem pé nem cabeça.
- Eu concordo! –disse Jack sério. Eu o encarei incrédula. Traída pelo próprio irmão! Acho que definitivamente eu ainda não havia acordado daquele sonho. E agora estava ficando ainda mais estranho. Jack e Carlinhos me encaravam, esperando que eu dissesse algo.
- Você é mais velho que eu... – eu protestei. Foi a única coisa que eu consegui pensar. Jack era mais velho e não era casado....AINDA!
- Estou noivo! – ele disse mostrando o grande anel dourado em seu dedo. – E você sabe... mulheres casam muito mais cedo do que os homens! A Amelie tem a sua idade...
- O que você propõe?! – eu perguntei irritada. E a Amelie era mais velha que eu, meses, mas mesmo assim, mais velha!
- Eu?! – Jack perguntou sorrindo. – Nada! Ângelo só pediu sua mão em casamento! E eu disse que era sua a decisão! Eu concordo com o papai, é você que deve decidir....
- Com qual dos três filhos ele quer que eu me case?! – eu perguntei irritada. Jack sorriu e deu com os ombros.
- Ele disse que você podia escolher! – respondeu ele mal conseguindo segurar o riso. Eu não consegui me conter. Isso era ridículo.
- Você quer que eu me case com um deles?! – eu perguntei quando a porta se abriu. Alejandro apareceu por ela, e acenou com a cabeça e pedindo que Jack fosse falar com ele.
- Eu?! – perguntou Jack ainda rindo e indo até Alejandro. – É você quem sabe! Eu só acho que está na hora de você parar de dizer não aos seus pretendentes e encontrar alguém que te faça feliz!
- Eu sou feliz! Eu vou conseguir superar a morte do papai, sem me casar com um dos Alcantaras....– eu protestei quando Jack e Alejandro cochichavam.
- Volto daqui alguns minutos! – disse Jack me ignorando e saindo com Alejandro. Carlinhos me encarou sério por alguns segundos.
- Era isso então?! – eu perguntei séria pra ele. Carlinhos respirou fundo e então me encarou. Ele parecia um pouco mais calmo que ontem.
- Eu me preocupo com você! E não quero que você passe o resto da vida com alguém que você nem conhece bem! Mas se você achar que é melhor, então.... – ele disse sério, me encarando.
- Do jeito que você estava agindo, eu achei que era o fim do mundo! – eu disse sorrindo e revirando os olhos. Carlinhos continuou sério. Ele pensou por alguns segundos e respirou fundo.
- Se você aceitar, vai ser o fim do mundo! – ele disse ainda me encarando – Pelo menos pra mim! – completou ele. Eu pisquei algumas vezes, tentando entender o que era aquilo.
- Por quê?! – eu perguntei fitando meus próprios pés.
- Para de se fazer de boba Liv! O reino inteiro sabe que eu sou apaixonado por você! – ele explodiu. Eu respirei fundo. Era uma declaração um pouco rude, nada de flores ou ele ajoelhado a minha frente, mas mesmo assim era uma declaração. Uma declaração que pegou um pouco desprevenida. Não vou dizer que eu não sabia, mas a verdade é que era uma coisa pela qual eu nunca havia pensado sobre.
- E por que você não me pede em casamento?! – eu perguntei em voz baixa. Nossos olhos se cruzaram por alguns instantes e então ele riu ironicamente.
- Não agora Liv! Agora não é o momento pra isso! Eu não vou fazer como eles e me aproveitar da sua fragilidade! – ele disse ficando sério, eu o encarei confusa.
- É diferente! – eu tentei escolher as palavras – Eu e você..
– Você está dizendo isso porque está fragilizada com a morte do seu pai! – ele me interrompeu impaciente, parecendo não querer ouvir o que eu tinha a dizer. -E fui eu quem te ofereceu proteção! Se um dia eu for te pedir em casamento, quero ter certeza de que você vai aceitar porque realmente acredita na gente!
- Você é tão cabeça dura! – eu exclamei revirando os lhos. É claro que eu me casaria com ele! E claro que eu realmente achava que nós podíamos dar certo. Ele me encarou sério por alguns segundos.
- E quando você descobriu isso? Hoje?! – ele perguntou sério. Eu abri a boca pra falar, mas eu não podia mentir! Quer dizer... eu sentia uma atração por ele, mas nunca achei que passava disso! Ele me encarou esperando a resposta que não veio. Ele respirou fundo e se ajoelhou a minha frente. - Eu só quero ter certeza Liv! Só isso! – ele disse tentando se acalmar, mas agora era eu quem estava nervosa.
- Certeza Carlinhos?! A gente nunca tem certeza de nada na vida! – eu disse, e soou como se eu tivesse implorando pra ele se casar comigo agora. Eu tentei respirar fundo pra me acalmar. – Então aquele... beijo.... ontem.... não significou nada?! – eu perguntei. Minha raiva estava começando a se transformar
- Liv! Eu não podia ter feito aquilo! Não ontem! – ele disse calmamente segurando meu rosto entre suas mãos.
- Você acha que eu sou tão imatura que não sei... diferenciar meus sentimentos?! – eu perguntei o olhando nos olhos. Ele deu um sorriso fraco.
- Não é isso!
- Parece! – eu respondi com ferocidade.
- Acontece que... eu não quero que pareça que eu estou me aproveitando desse seu momento de fragilidade! Eu disse que todo mundo no reino sabe, imagine o que vão dizer...
- Importa mais a opinião deles do que a minha?! – eu perguntei e mais uma vez parecia que eu estava implorando. Ele riu. – Isso é ridículo! Não sei nem porque estamos discutindo isso! Eu não acho que preciso me casar, nem nada assim!
- Nem eu! – disse Carlinhos se afastando novamente.
- E eu só preciso que Jack diga que não quero me casar com os Alcântaras! – eu continuei. Carlinhos riu.
- Pena que eles não são tão fáceis de se convencer... – ele disse. Eu o encarei curiosa, o que significava isso?! – Parece que os eles vão continuar por aqui, até você se resolver!
- Sério?! – eu perguntei sem acreditar, Carlinhos sorriu e assentiu com a cabeça.
- Vai ser difícil de você se livrar deles! – disse Carlinhos rindo. Seria o pior pesadelo do mundo! Eles sempre exigiam que eu me comportasse como uma verdadeira princesa quando eles passavam algum tempo no reino. Era insuportável!
- Por favor... casa comigo?! – eu perguntei fazendo biquinho, ele sorriu.
- Se você me perguntar isso daqui algumas semanas, eu prometo pensar! – ele respondeu voltando a ficar bem humorado. – Eu sou um cara difícil! – brincou ele quando Jack voltou.
- E então? Já se decidiu maninha?! Qual dos almofadinhas vai ser meu cunhado?! – ele perguntou sorrindo.
- Você sabia minha resposta desde o inicio Jack! – eu disse o encarando, ele deu com os ombros.
- Mas se eu não te falasse nada, você ficaria uma fera por eu resolver sua vida sem te consultar! – ele disse sorrindo. Eu concordei com a cabeça.
- Problemas?! – perguntou Carlinhos apontando a porta.
- Não...quer dizer, não um problema dos grandes! – respondeu Jack sorrindo. – estamos sem um navegador! Só temos tripulação!
- Pra onde?! – eu perguntei interessada. Jack e Carlinhos se entreolharam preocupados. Eu sorri, adorava deixá-los preocupados.
- Liv... – começou Jack sério. – Precisamos ir atrás de quem afundou o barco do papai!
- Vocês sabem quem.... Quem afundou o navio do papai? - perguntei eu após alguns instantes. Como eu não tinha pensado nisso ainda?! Se eles sabiam, o que eu estava fazendo sentada ainda?!
Carlinhos e meu irmão se olharam novamente. Jack ficou muito sério e Carlinhos abaixou a cabeça. Eu esperei pela resposta que parecia estar demorando uma eternidade pra vir.
- Meu irmão! – respondeu Carlinhos envergonhado. Eu comecei a rir. Só podia ser uma piada! Mas nenhum dos dois me acompanhou, apesar de Carlinhos ficar me encarando curioso.
- Willian? - eu perguntei. Simplesmente não podia acreditar. Apesar de roubar, saquear, e fazer muitas coisas contra as leis, Will era incapaz de matar ou afundar um navio com sua tripulação dentro. Eu o conhecia. Will não era um assassino. Ainda mais afundar o barco do meu pai. Meu pai que tantas vezes o ajudou a se livrar de muitas condenações. Eles eram amigos...
- Willian! - respondeu Jack seco. Eu olhei para Carlinhos. Ele também parecia não acreditar naquela história, mas não disse nada. Eu o encarei tentando fazer com que ele me apoiasse, mas ele continuou sem dizer nada. Eu revirei os olhos. Jack não entendia, era impossível ter sido Will, e Carlinhos sabia disso!
- Não pode ser... - eu disse indo até meu irmão, que tentava se concentrar em alguma coisa escrita em um dos milhões do papeis jogados sobre a mesa. Ele me encarou por cima dos papéis, eu sabia que estava começando a irritá-lo. Mas ele precisava acreditar em mim!
- Liv! - exclamou Jack nervoso - O corpo do papai chegou aqui num bote junto com um marujo mudo, e tanto o papai quanto o pirata tinham a marca do Senhor dos Ventos! –ele disse. Meu estomago foi parar no pé. Isso não fazia o estilo de Will, mas é exatamente o que um pirata faria. Mataria o Rei e depois mandaria o corpo, come se fosse um troféu para ser exibido para os outros. Eu respirei fundo. Carlinhos caminhou lentamente até mim e segurou minha mão.
- Jack...eu conheço o Willian! - eu disse tirando forças não sei da onde. E conhecia Willian até bem demais. Tinha olhos negros, cabelo escuro, preso em um rabo de cavalo, não muito comprido, usava sempre um cavanhaque, tinha braços fortes....
- Liv! Não é porque com você ele foi bonzinho que ele vai ser com todo mundo... não se esqueça que você é uma garota! - disse Jack. Carlinhos ainda não dizia nada, apenas segurou minha mão mais forte. Eu revirei os olhos. Jack não sabia de nada! Will e papai eram amigos! Viviam trocando favores e nunca se atacavam quando se encontravam. Pelo contrário, eles ancoravam e tomavam algumas taças de vinho juntos.
- Princesa, eu sei que isso é difícil de acreditar, mas Willian é um pirata! – Carlinhos disse pela primeira vez.
- Você acredita mesmo nisso?! – eu perguntei o encarando. Ele pensou por alguns segundos e soltou minha mão.
- Infelizmente não tenho outra opção! – ele respondeu com seus olhos presos em mim. – Às vezes o Willian pode ser tão irresponsável e ouvi dizer que ele está precisando de dinheiro!
-Eu vou então! – eu disse num impulso. Carlinhos arregalou seus olhos verdes para mim. E meu irmão ficou cor de beterraba. É claro que era isso que eles estavam preocupados desde o inicio desta conversa. Jack abriu e fechou a boca muitas vezes antes de conseguir finalmente que sua voz saísse.
- Você tá louca? - perguntou ele praticamente cuspindo fogo. – Ele já afundou o barco do papai, e sabe que mandaremos alguém para prendê-lo!
- Jack! Só quero tirar essa história a limpo! O Willian não tinha por que atacar o papai, o navio dele não tinha ouro, só papéis e contratos e... além do mais, vocês precisam de um navegador! E você sabe muito bem porque papai me levava sempre com ele!
- Liv! Tire essa idéia da cabeça! - Jack disse ainda nervoso, mas já não cuspia fogo. – Eu sei que você é a melhor navegadora do reino, agora que papai se foi, mas não vou deixar que você faça isso.
- E o que você vai fazer?! – eu perguntei irritada – Me prender?! – eu explodi. Jack sabia que me prender era a única forma de eu não ir agora que eu sabia de tudo.
- Liv! Por favor! – Jack pediu esfregando os olhos. – Seria demais se eu te perdesse!
- Jack! Não vai acontecer nada! – eu disse. Ele fez que não com a cabeça, me encarando. – Então pode mandar me prender! – eu disse me aproximando dele com os pulsos unidos, como se minhas mãos já estivessem algemadas. Jack não disse nada, apenas me encarou muito sério. Carlinhos se aproximou da mesa onde Jack estava, parando ao meu lado.
- Jack! Acho que sua irmã está certa! - disse ele em voz baixa e mais uma vez meu irmão virou uma beterraba. – Ela é a nossa melhor chance como navegadora! Se você não quer que ela vá porque acha que Will irá afundar outro barco....
- Nós só perderemos mais homens e mais um navio! – eu interrompi. Carlinhos estava muito sério. Jack parecia estar travando um duelo com Carlinhos com os olhos.
- Por favor! Sejam mais racionais! – pediu Jack ainda fitando Carlinhos. – Eu não vou enfiar minha irmã em um navio cheio de homens! Ainda mais agora que metade dos parentes diz que ela precisa de um marido...
- Eu me caso com ela se esse é o problema! – Carlinhos disse. Não sei se fui eu ou Jack que ficamos mais surpresos. Eu encarei Carlinhos por alguns segundos. Com certeza eu tinha imaginado que ele havia dito aquilo. Jack parecia ter pensado a mesma coisa, já que nenhum de nós conseguiu dizer uma só palavra. Carlinhos piscou algumas vezes.
– Jack, a Liv é a melhor! Eu entendo sua preocupação! Você sabe que eu seria a ultima pessoa no mundo a querer arriscar a vida dela!
- Não é o que parece! – disse Jack secamente. Eu ainda tentava entender. Meu sonho ia ficando cada vez mais estranho.
- E o que você vai fazer? – eu perguntei irritada. – Pegar um navegador meia boca, que não vai saber o que fazer quando Will começar a atirar?! Ou contratar alguém de fora, que nem conhece a região e vai afundar o barco antes mesmo do Will limpar os canhões?!
- Liv... – começou Jack tentando me acalmar.
- Ou você esquece essa história de ir atrás do Willian, ou você sabe muito bem que eu sou sua única opção! – eu disse de uma vez. Jack me encarou por alguns instantes. Ele parecia ainda mais cansado. Ele esfregou os olhos mais algumas vezes.
- E eu sei que se eu esquecer ou não te mandar nessa viagem, eu vou ter que prender você! – ele disse desanimado. – Tudo bem Liv! – ele concordou finalmente.
- Obrigada! – eu disse o abraçando.
- Mas você vai ter que me prometer que vai voltar viva! – ele pediu. Eu sorri.
- Prometo! – eu respondi. Então ele olhou para Carlinhos. Os dois se encararam por alguns segundos.
- Você tava falando sério?! – Jack perguntou sério. Carlinhos assentiu sem desviar o olhar.
- Você sabe que sim! Se você quiser mesmo que a Liv vá casada, eu caso!– respondeu Carlinhos ainda sério.
-Vocês já tinham decidido isso antes.... – Jack começou tentando entender o que estava acontecendo.
- Não! – respondeu Carlinhos naturalmente.
- Eu não sei... – disse Jack encarando Carlinhos a espera de alguma explicação extra. – Foi por que vocês se beijaram ontem?!
- Não! – respondeu Carlinhos novamente.
- Você contou pra ele?! – eu perguntei encarando Carlinhos que deu com os ombros.
- Claro que ele me contou! – disse Jack sorrindo. Carlinhos estava muito vermelho, apoiado sobre a mesa de Jack. – Ele é quase meu irmão, o que você esperava?! – Jack ainda ria da nossa reação.
- Eu não acredito! – eu disse incrédula. Eu realmente não entendia Carlinhos! Ele estava arrependido de ter me beijado e a primeira coisa que ele fez foi contar pro meu irmão?! Por que?!
- Foi bom?! – perguntou Jack de repente me encarando.
- Que?! – eu perguntei achando que não havia entendido direito a pergunta. Carlinhos virou seus olhos verdes para mim, mas ele ainda estava muito vermelho, e eu ainda muito nervosa.
- Foi bom?! – Jack perguntou. Eu lembrei do beijo e uma onda de eletricidade percorreu minha espinha. Meu nervosismo foi embora. Os dois ainda me encaravam esperando que eu respondesse. Eu tentei não sorrir.
- Foi! – eu disse encarando meus próprios pés. Jack riu. Eu não quis olhar para Carlinhos, mas imaginei que ele estivesse com aquele sorriso perfeito em seus lábios.
- Então tudo resolvido! – disse Jack encarando Carlinhos. – Eu quero que ela saia daqui pelo menos noiva! Evitaria alguns problemas e falações!
- Como quiser! –disse Carlinhos encarando Jack. De repente os dois estavam muito sérios. – Sairemos daqui noivos....
- Não! – exclamou Jack – São vocês quem tem que saber! A Liv sabe quais são as opções... – ele disse. Carlinhos desviou seu olhar pra mim. Nós nos encaramos por alguns instantes. – E você também devem estar ciente da enrascada que você está se metendo! – disse Jack sorrindo para Carlinhos, que continuou sério.
- Eu sei! – disse Carlinhos ainda me encarando muito sério.
- Então é só fazer o pedido! – disse Jack. Eu arregalei os olhos pra ele. Pedido? Que pedido? Do que ele estava falando?!. Carlinhos respirou fundo e se ajoelhou. Eu não conseguir me conter e levei as mãos á boca.
- Princesa Olívia, você aceita se casar comigo?! – Carlinhos perguntou timidamente, segurando minha mão. Meus olhos foram dos olhos verdes dele, para os olhos negros de Jack. Ele estava sorrindo e balançou a cabeça para mim em sinal de encorajamento.
- Eu já tinha decidido antes de você me perguntar! – eu disse sorrindo pra Carlinhos. Ele sorriu de volta e então olhou pra Jack.
- Você sabe que eu sempre torci pra isso acontecer! – disse Jack para Carlinhos, dando uns tapinhas em suas costas quando Carlinhos se levantou.
- Sei! – exclamou Carlinhos sério. - Eu só não queria que ela aceitasse só porque precisa de mim pra essa viagem! – continuou ele me encarando de repente. Eu sorri.
- Você é muito cabeça dura! – eu exclamei ainda sorrindo.
- Não quero que vocês já tenham a primeira briga! – interrompeu Jack sorrindo. – Precisamos cuidar então do noivado oficial!
- Pode ser junto com a coroação! – eu sugeri – Economiza uma festa, e todas aquelas pessoas chatas....
- É uma boa idéia! – disse Jack sorrindo.
- E além do mais, poderíamos partir logo! – eu disse. Carlinhos revirou os olhos.
- Tudo bem! – disse Jack ainda sorrindo – Eu vou cuidar de tudo! Podem ficar tranqüilos! Só tratem de não brigar! – disse ele nos expulsando de lá, Carlinhos abriu a boca para falar alguma coisa, mas Jack o empurrou pra fora. – Vá curtir a sua noiva! Está tudo sob controle! – continuou Jack batendo a porta nas nossas costas. Carlinhos me encarou no corredor vazio.
- Assim que voltarmos, acabaremos com essa farsa! – disse ele sério, se afastando. Eu corri para alcançá-lo.
- Você ta sendo tão infantil! – eu exclamei o segurando. Ele me encarou por alguns segundos. Mas não disse nada. – Por que você não entende que eu também quero que a gente fique junto! De verdade!
- Liv... é complicado!
- Você ta complicando! – eu exclamei – Fazem, sei lá 3 anos que você espera por mim...
- 6 anos! – ele corrigiu me encarando. Eu o encarei confusa.
- Desde que a gente se conheceu?! – eu perguntei, ele assentiu.
- Você tinha 14 e eu 16... foi quando eu vim morar aqui, quando eu comecei a treinar para entrar no exercito...
- Que seja! Eu sinto muito se eu só me dei conta dos meus sentimentos, agora... com tudo isso que ta acontecendo!
- Isso que me preocupa! E se você não sentir isso de verdade?! – ele perguntou me encarando. Eu o soltei e pensei por alguns segundos.
- Tá! Antes do meu pai morrer, eu... acho que já sabia! Na verdade, eu achava que era idiotice, eu te achava bonito e gostava de estar perto de você! Eu só não tinha me dado conta que era tão grande isso que eu sentia por você.... – eu disse evitando seus olhos.
- Você ta falando sério?! – ele perguntou me encarando desconfiado. Eu revirei os olhos. Era patético isso! Eu estava praticamente me jogando em cima dele, e ele não acreditava. Talvez ele é quem não tivesse certeza dos sentimentos e eu não ia insistir. A morte do meu pai já era ruim demais, e ainda ser rejeitada... seria muito mais do que eu podia agüentar. Eu comecei a me afastar, sem responder sua pergunta, mas ele segurou meu braço e me puxou. Foi como um imã, nossos lábios se juntaram quase no mesmo segundo. E ele me puxou mais perto.
- Me desculpa! – ele disse ainda me segurando. – É bom demais pra eu acreditar! – ele continuou.
- Mas é verdade! – eu disse o olhando nos olhos.
Então, já estava decidido. Eu e Carlinhos ficaríamos noivos oficialmente, no dia da coroação de Jack, e partiríamos no dia seguinte. Ainda era um pouco cedo pro casamento, e Jack concordou que assim já estava bom. Carlinhos estava cuidando do navio e a tripulação, enquanto eu traçava nossas rotas. Todos os lugares que Will costumava freqüentar, e os lugares onde ele havia sido visto.
